O mundo de ontem?

1 Estamos entre um tempo e outro. Desfasados, portanto do que já não é e ainda não é. Com surpresa – para uns mais, para outros menos – eis os nossos instrumentos de observação e análise a embater brutalmente com os procedimentos – todos os procedimentos e não só os geoestratégicos – que têm feito uma “fracassante” entrada em cena: disruptiva na sua imprevisibilidade anunciada (não é um paradoxo) e ostensiva na desenvoltura com que ousa – e usa – a imprevisibilidade e a arrogância.

Mesmo que aquilo a que assistimos com pasmo tenha já acontecido no passado – até em piores condições como no Panamá e escolho apenas este exemplo –, estando já inscrito na História, talvez nada tenha porém acontecido “assim”. E por isso nos seja tão estranho este tempo novo onde o ar foi tomado por um confuso desnorteio. Balança-se entre a certeza dos factos e a dúvida arrastada pela incerteza: o que aconteceu hoje com (estarrecedora) naturalidade poderá amanhã ter a condição de tábua de lei? Aniquilar-ser-ão os tempos e modos eleitos como decentes e por isso por nós escolhidos e praticados? Duvido – que outro verbo usar? – que alguém esteja municiado para responder e depois para agir por entre o denso nevoeiro que baixou sobre o mundo onde costumávamos viver. O de ontem. (Quem diria que tal como Stefan Zweig eu poderia vir um dia a dizer, com alta verosimilhança, o meu “mundo de ontem”? )

2 Parece que só falo da “Venezuela” sem falar da Venezuela. Não é bem assim: o choque pelo rapto de Nicolás Maduro foi impressivo e nada o diminuirá muito menos as boas intenções. Sucede porém que tudo o que tornou........

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