We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close
Aa Aa Aa
- A +

O desafio crucial de Costa na Madeira /premium

3 5 0
26.06.2019

1. Quando perguntei a Miguel Albuquerque com que dinheiro contava pagar as douradas promessas feitas nas últimas quarenta e oito horas aos médicos e professores da Madeira se ganhasse as eleições de Setembro próximo, ouvi simplesmente “com o nosso” (sem que ele sequer pestanejasse).

Mangas de camisa, olhar azul claro e um cabelo mais decente que o costume, o líder do governo madeirense continua a não pestanejar: ”recuperámos as finanças, temos um superavit há três anos, baixámos os impostos, exportamos mais do que importamos”. Sub entendido, eu que não me aflija com o custo das promessas de melhores dias para ambas as classes profissionais: “a despesa está consolidada e devidamente enquadrada”.

A verdade porém é que o que me traz não é uma história madeirense mas uma esperança lisboeta. Ou seja, se hoje “desloquei” a Madeira de um lado para o outro do Atlântico e a trouxe até ao Continente foi por saber a que ponto é vital para António Costa e para os socialistas – os de cá e os de lá – a derrota do PSD de Albuquerque daqui a três meses. Vital e determinante. Costa quer poder dizer em Outubro que Portugal é dele, ilhas incluídas. Enquanto não calcar de vez Passos de Coelho aqui, e Albuquerque lá — como já ocorre nos Açores onde vigora um “sistema” socialista de liberdade de escolha muito sui generis para dizer o mínimo — António Costa não descansará. Nem olhará a meios (políticos, constitucionais, financeiros, humanos).

Olhando porém as coisas ao vivo e em directo como me aconteceu por estes dias na Madeira, o sonho socialista esmorece. E com a recente vitória do PSD nas eleiçĩoes europeias de Maio (PSD: 37,15%; PS: 25,8%), um dia o sonho pode virar um pesadelo: por qualquer razão cuja inexplicabilidade não escapou a nenhum observador político ou “civil”, Paulo Cafofo, ex-presidente da autarquia do Funchal que ganhou bem, onde cresceu politicamente e se fez gente, decidiu abandonar o cargo após a derrota, para “se dedicar inteiramente à campanha eleitoral”. Perdeu de uma asssentada palco e poder e Deus sabe quanto o primeiro faz falta e o segundo,........

© Observador