Estes dias (e uma nota de rodapé)
1 Nunca nos habituaremos, é da natureza humana. Mesmo diante do pré-anunciado, a surpresa e a aflição fazem a sua obrigação e superam-se. Ninguém se habitua ao pior e a violência destes dias foi inaudita. Sucede porém que entre nós há dois “piores”: a ocorrência em si e o que costuma seguir-se.
Por aqui, plantados à beira mar e afogados em pré-avisos, é quase como se ficássemos apenas à espera da devastação anunciada. É verdade: desde que me conheço que testemunho um Portugal que parece assente num fino espelho. Quando a natureza dá de si, há sempre um espelho em fúria que nos devolve a espantosa fragilidade de que o país é feito.
Quase dez anos após os dantescos fogos de Pedrogão e dos erros fatais lá praticados; uma década depois dos abraços do Presidente da República, das intenções do governo socialista de então – não confundir com “acções” – e das verbas libertadas, há ainda promessas por cumprir e muita coisa por refazer. Ainda.
2 Temos os olhos mais que cheios de várias geografias muito pior feridas – incêndios de proporções inimagináveis, tsunamis brutais, cheias que em meia hora arrasam cidades sob a lama, mas… Mas há qualquer coisa de activamente persistente na nossa fragilidade que faz com que em intempéries de maior ou menor violência, o que de imediato se constata – porque se observa – é algo de muito parecido com uma desprevenida, tolhida, capacidade de resposta. Uma declinação do........
