Equívoco?
1 Não sei se os dois candidatos presidenciais têm visto o ciclo Hitchcock *, não havia tempo mas é pena: Seguro não pode distrair-se e fechar o leque de generalidades com que – sempre com “serenidade” e “moderação” – tem afagado o país votante sem nunca o convocar para o que pensa sobre o que quer que seja. Mais vale prevenir que remediar: Seguro tem que continuar seguro que se mantém Seguro, isto é, ele próprio: defendendo-se mais do que comprometendo-se.
Também é verdade que lhe deve ser difícil dar vazão em tempo útil à leitura de tanto abaixo-assinado de salvadores da democracia (?) em luta contra “atrasados mentais”, versão socialista irada dos “deplorables” de Hilary Clinton (e que interessa que sejam quase um milhão e meio de portugueses?).
E Ventura? Ventura também não pode distrair-se e ir ao cinema. Tem duas frentes de combate abertas em simultâneo – Belém e S. Bento: para tentar vencer a primeira – empreitada ainda mais inverosímil que impossível; e para tornar mais possível que verosímil a segunda. Além disto, que não é pouco, deve dar trabalho estar a fazer uma campanha praticamente sem interlocutor ou quase: até hoje – escrevo antes do debate – não retive nenhuma de troca de interpretações entre ambos sobre o mais alto cargo do país. Tomei apenas nota de intenções que invadiam o território dos governos e sei muito vagamente o que pensam do mundo fora daqui ou o que lhes levariam de Portugal caso o viessem a representar: que prioridades, que intenções, que compromissos. Enfim, é uma pena que não tenham tempo para Hitchcock pois tomariam boa nota da admirável sabedoria com que se entreteve – não apenas com o “fabrico” do “suspense” que será logo o que ocorre, mas a dissecar a natureza humana atrás de uma câmara de filmar.
Alguma coisa havia de escorrer do écran para os candidatos por mais........
