Amar para além da utilidade

Há pessoas que vivem aterrorizadas pela possibilidade de deixarem de ser importantes para alguém. Não falam disso. Não o confessam. Mas carregam esse medo todos os dias. O medo de já não serem suficientemente interessantes. Suficientemente fortes. Suficientemente divertidas. Suficientemente necessárias para continuarem a ocupar um lugar no coração dos outros.

Talvez uma das maiores fragilidades humanas nasça exactamente aqui: na suspeita silenciosa de que o amor dos outros depende daquilo que conseguimos oferecer.

Há dias ouvi uma história simples que ficou comigo muito mais tempo do que esperava. Um homem entrou numa pequena loja antiga para comprar um presente. Enquanto esperava, reparou num velho relógio pendurado na parede. Estava parado havia muitos anos, coberto de pó, sem qualquer utilidade aparente. Intrigado, perguntou ao proprietário porque continuava a guardar um objecto que já não funcionava.

O velho aproximou-se lentamente do relógio, passou os dedos sobre o vidro envelhecido e permaneceu alguns segundos em silêncio, como quem regressa a uma memória que ainda dói. Depois respondeu: “Foi o último presente que o meu........

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