Às vezes é preciso perdermo-nos |
Ouvi a frase dita sem solenidade: “Às vezes é preciso perdermo-nos.” Não vinha acompanhada de teoria nem de conselhos fáceis. Era quase um sussurro de quem já atravessou alguma coisa. Talvez por isso não a consegui ignorar.
Vivemos numa cultura que idolatra a orientação permanente. Tudo deve estar definido, mensurável, optimizado. Ter rumo é virtude. Hesitar é fraqueza. Perder-se é fracasso. Ensinaram-nos que maturidade é controlo e que estabilidade é prova de acerto.
Mas talvez o maior engano do nosso tempo seja confundir direcção com sentido. Há vidas perfeitamente organizadas e profundamente vazias. Há percursos irrepreensíveis que nunca tocaram o essencial. Pode-se cumprir todas as metas e, ainda assim, trair a própria verdade.
Há momentos em que a vida desmonta a narrativa que construímos sobre nós. Um projecto que falha quando parecia sólido. Uma relação........