Trump, Gronelândia e a direita europeia |
Quando Donald Trump foi reeleito em 2024, fez-se festa nos quartéis-generais dos partidos de extrema-direita por toda a Europa. Ter um aliado na Casa Branca que falava a sua língua, defendia as suas causas e dispunha da maior plataforma mediática do mundo, foi visto como uma vitória histórica. Essa celebração marcava também uma ruptura silenciosa com o passado: durante décadas, a direita radical europeia definira-se por um antiamericanismo que a nova geração destes movimentos havia progressivamente abandonado. O futuro adivinhava-se promissor. Um ano depois, porém, a realidade parece ser outra.
A onda de legitimidade que se esperava assombrar a Europa em benefício dos partidos mais à direita do espectro político não se materializou. Pelo contrário, o que se observa é um afastamento progressivo — ainda que discreto — entre estes partidos e a administração Trump. É como se a celebração se tivesse desvanecido rapidamente, substituída por uma espécie de constrangimento silencioso. O que começou como uma aliança ideológica prometedora revelou-se frágil, minada por uma contradição fundamental que não parece ter sido verdadeiramente considerada: alianças entre nacionalistas raramente sobrevivem quando chegam ao poder.
A divulgação no mês passado da National Security Strategy (NSS) americana ofereceu um exemplo revelador deste novo cenário. O documento descrevia os partidos extremistas de direita europeus como “aliados” e propunha de forma direta o apoio destes partidos para “salvar a civilização ocidental”. Era o reconhecimento que a hard-right europeia esperava, o sinal verde que procurava. A reação das principais figuras europeias foi previsivelmente dura e de condenação veemente. O que talvez não se esperasse era o silêncio dos partidos de extrema-direita. Não se ouviram manifestações festivas por parte do RN, da AfD ou do Reform UK. Não houve comunicados de celebração, não houve discursos triunfantes. Os principais beneficiários aparentes da nova estratégia........