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O octógono na Casa Branca

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16.06.2026

Quando Donald Trump decidiu celebrar os seus 80 anos mandando erguer um octógono de UFC no relvado da Casa Branca, para que sete pares de homens lutassem diante de si e do país, ofereceu ao mundo um espetáculo. Mas o espetáculo foi talvez o menos importante do que ali se viu, porque o que este evento exibiu foi uma definição: uma definição de masculinidade. A ligação de Trump aos desportos de combate é já antiga, tendo recebido lutas no seu casino de Atlantic City em 2001, quando figuras maiores do Partido Republicano, como John McCain, ainda faziam campanha pela ilegalização daquilo a que chamava human cockfighting. Seria, por isso, fácil ler o episódio como mais um capítulo do gosto do presidente pela luta, pelo excesso, pelo espetáculo e pelo desrespeito institucional a que já nos habituou neste segundo mandato. Mas essa leitura não parece captar o aspeto mais relevante desta demonstração. Num momento em que Trump perde apoio entre os homens mais jovens, descontentes com a falta de vontade ou incapacidade do Presidente em melhorar as suas condições económicas, aquilo que lhes faz chegar da Casa Branca é, em vez de uma solução político-económica para as suas ansiedades, uma imagem cuidada daquilo que, para esta direita, um homem deve ser. Todo este evento é o reflexo de uma tese sobre a masculinidade, e é como tal que merece ser lido.

A conceção de masculinidade que percorre o trumpismo na sua segunda encarnação tem uma forma reconhecível e o seu centro é a ideia de domínio. Ser homem, nesta gramática, mede-se pela posição de superioridade que se ocupa sobre os outros, e como a superiorização pressupõe sempre alguém colocado por baixo, esta masculinidade exige estruturalmente um subordinado: uma mulher que obedeça, um adversário que se vença, um inimigo que se aniquile, encontrando apenas no rebaixamento do outro a confirmação de si mesma.

A esta ideia de domínio sobrepõe-se a de reconquista, uma vez que a virilidade é aqui apresentada como resposta a uma usurpação, como devolução de um estatuto que teria sido roubado aos homens, o que a mantém permanentemente irritada e voltada para um passado idealizado (nunca concretizado) em que esse domínio estaria garantido. E uma vez que o domínio, na verdade, nunca está garantido, acrescenta-se-lhe a exigência da performance, a obrigação de exibir a virilidade sem descanso, de a provar e reprovar a cada momento sob pena de a ver, ou, pior ainda, que os outros a vejam, dissolver-se. Domínio, reconquista e performance compõem uma só conceção de masculinidade observada de três ângulos e foi........

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