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Irão: o seguro político de Erdogan

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25.03.2026

A 9 de março começou o julgamento de Ekrem Imamoglu, presidente da Câmara de Istambul e uma das figuras mais sonantes do partido da oposição turca, o CHP. Imamoglu foi detido há sensivelmente um ano sob alegadas suspeitas de corrupção, espionagem e apoio a grupos terroristas, em particular o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK). Somando todas as acusações, enfrenta mais de 2000 anos de prisão. A detenção e julgamento foram amplamente interpretados como mais uma demonstração das tendências autoritárias de Recep Tayyip Erdogan, numa clara tentativa de impedir Imamoglu de concorrer às eleições presidenciais de 2028. As sondagens mostram que Imamoglu é uma das poucas figuras que conseguiria fazer frente e vencer Erdogan numa eleição direta. E o presidente turco, que jura pela independência do judiciário, nomeou recentemente o procurador que supervisiona a investigação como seu Ministro da Justiça.

Perante este cenário, seria expectável uma condenação forte da União Europeia. A UE tem sido conhecida pelos seus constantes comunicados em defesa do Estado de Direito, e ainda no ano passado foi extremamente rápida na sua condenação da detenção inicial de Imamoglu. Mas agora, com o julgamento a decorrer e as acusações a acumular-se de forma cada vez mais inverosímil, o silêncio é ensurdecedor. O contraste é notável e levanta uma questão óbvia: o que mudou de há um ano para cá?

A resposta parece encontrar-se não em Ancara, mas em Teerão. A guerra no Irão tornou Erdogan indispensável para o Ocidente precisamente quando este mais precisava de ser confrontado. Enquanto as análises desta guerra se concentram em Netanyahu, Trump e Putin, Erdogan parece emergir como um vencedor silencioso. E o silêncio europeu surge como a primeira manifestação de uma nova realidade geopolítica onde a Turquia se tornou demasiado importante para ser criticada, onde a necessidade estratégica supera princípios.

O paradoxo é que a liderança turca esteve inicialmente envolvida nos esforços para impedir o deflagrar da guerra. Perante uma economia debilitada e elevada inflação, mais instabilidade no Médio Oriente não era certamente o cenário desejado por Ancara. A volatilidade no mercado da energia ameaçava agravar ainda mais a já problemática inflação turca. E havia o receio fundado de uma nova onda de refugiados à porta da Turquia, que partilha uma longa fronteira terrestre com o Irão. Uma onda migratória que, caso se materialize, será com toda a probabilidade ainda mais disruptiva do que a que resultou das guerras do Golfo ou da guerra civil na Síria. Erdogan tinha razões económicas e sociais concretas para temer esta guerra.

Uma vez iniciado o conflito, a Turquia soube rapidamente reposicionar-se. A estratégia........

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