O fundo soberano de Luís Montenegro
1. O actual inquilino de S. Bento anunciou que vai criar um «fundo soberano» destinado a «intervir» em sectores económicos «estratégicos», de modo a reforçar a «soberania nacional» e servir de «instrumento de poupança» para as gerações vindouras.
O projecto cheira a aldrabice que tresanda e cheira porque é.
Vejamos: um fundo «soberano» (que nome horroroso) é uma verba integrada por dinheiros públicos a gerir por uma entidade pública que pode ser um instituto público, uma entidade pública empresarial ou até uma empresa pública controlada pelo Estado, é indiferente. O que importa saber é de onde vem o dinheiro para «intervir» naqueles sectores.
É que é sabido que o nosso país já não pode, desde 2011, lançar mão das famigeradas golden shares para controlar a economia privada nos tais sectores estratégicos que davam ao governo poderes para condicionar/vetar as deliberações sociais, porque foram proibidas pelos tribunais europeus por atentatórias das regras do mercado livre. Se o governo quer controlar tem de comprar acções.
Sucede que os tais sectores «estratégicos» são, como consta do anúncio oficial, a energia, as telecomunicações e a banca, todos eles hoje maioritariamente privados e prósperos, abundantemente nas mãos de sócios estrangeiros. De modo que se o Sr. Montenegro quer comprar acções vai ter de gastar muitas dezenas se não centenas de milhões de euros se quiser, como diz que quer,........
