De sociólogos a militantes

1. Sabem porque é que muitos sociólogos portugueses são de esquerda, designadamente os que se dedicam ao estudo das realidades políticas, e querem modelar a sociedade de acordo com aquilo que muito bem entendem? É muito fácil de compreender. É porque querem fazer da política uma «ciência» programada em vez de uma filosofia e, ao mesmo tempo, mais prosaicamente, garantir os seus empregos.

São tributários de uma versão do cientismo racionalista, herdeiro directo do setecentista século das luzes, baseado na crença no absolutismo da razão e na sua capacidade para tudo explicar, prever e transformar. Uma razão evidentemente raisonnante, apenas individual e sem qualquer referência exterior. Convencidos que descobriram os mecanismos de funcionamento das sociedades actuais, repudiaram a filosofia política e o senso-comum e julgam-se senhores da realidade. Avançam, portanto, com todos os programas de transformação que possam imaginar, feitos à medida do que julgam ser racional.

Como a razão humana é construtura, não fazem a coisa por menos: querem (re) construir tudo de novo de acordo com as tais «leis» e assim edificar sociedades mais «perfeitas» e «racionais» porque sujeitas aos seus magníficos programas de realizações. Pensam que a realidade social se rege por complexos de leis actuando segundo uma regra de rígida necessidade. Senhores das «leis» toca a prever e a construir em conformidade um mundo melhor e mais «racional». E mais: tudo quanto está fora delas é para ser eliminado e tratado como uma excrescência. Daí o ódio à família tradicional, à religião cristã e às instituições clássicas bem como às regras objectivas de eticidade e de conduta delas resultantes.

Não lhes passa pela cabeça que a realidade social é permeável a todo um conjunto de elementos que fogem à categoria da........

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