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Uma defesa do celibato

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22.01.2020

É possível que os santos padres da Igreja que, em Nicéia (325), na Calcedónia (451) e em Latrão (1123 e 1139) votaram o celibato sacerdotal e exigiram aos pares que se abstivessem “da procriação de filhos” — é possível que tivessem na ideia as palavras de Paulo quando, na sua primeira epístola aos Coríntios, diz: “o homem solteiro está preocupado com as coisas do Senhor [mas] o homem casado está preocupado com as coisas mundanas, como agradar à sua esposa, e os seus interesses estão divididos” (1 Cor 7:32-3). É esse pelo menos o argumento principal que continua a ser dado para defender o celibato na Igreja. Mas é provável que os santos padres estivessem também a fazer um cálculo político: num tempo em que o império de Roma se desmoronava e vidas e haveres voltavam a estar à mercê de senhores da guerra e bandos de salteadores, manter as propriedades da Igreja indivisas e os homens unidos........

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