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Os políticos já aprenderam a lição? Duvido /premium

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12.07.2021

1 Qual a razão que leva alguém a querer ser presidente de um clube de futebol? No caso de Luís Filipe Vieira, e na esmagadora maioria de outros casos, a resposta foi sempre óbvia: aproximar-se do poder político e financeiro e exponenciar a sua influência como empresário.

Se juntarmos a isso a subserviência que os sócios e adeptos gostam de ter face ao ‘seu’ presidente, a fidelidade canina de boa parte da imprensa desportiva, a quase ausência de transparência nas operações de dezenas de milhões de euros anuais nas transferências de jogadores e a falta de espírito crítico por parte dos poderes públicos na relação com o futebol — facilmente chegamos à conclusão de que a tentação é muito grande.

Foi por causa do Benfica (e ainda enquanto n.º 2 de Manuel Vilarinho) que Luís Filipe Vieira conseguiu sentar-se na mesa dos empresários relevantes. Antes do Benfica, Vieira não passava de um empresário de média de dimensão da Grande Lisboa. Com o Benfica na lapela e o apoio financeiro de Ricardo Salgado no BES, passou a negociar a compra dos terrenos mais valiosos de Lisboa (os terrenos industriais da Matinha, na zona da Expo, com uma vista soberba para o rio Tejo) com António Mexia, então presidente da Galp Energia. Apesar de ter ficado em segundo lugar, ganhou o concurso a uma empresa espanhola muito mais conceituada e credível do que ele próprio na altura.

Pelo meio, Luís Filipe Vieira ainda fez com que Manuel Vilarinho apoiasse Durão Barroso como o candidato do Benfica nas legislativas de 2002 para contentamento de Pedro Santana Lopes, então recém-eleito presidente da Câmara de Lisboa que viria a propor mais tarde que a Catedral de Lisboa fosse para os terrenos que Vieira tinha comprado à Galp de Mexia de forma a viabilizar a reconversão do uso dos terrenos (de industrial para habitação e serviços. Mais tarde, Vieira vendeu o ativo ao BES.

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2 Esse negócio polémico, que chegou a estar sob investigação judicial, foi o princípio da caminhada de Luís Filipe Vieira como homem de........

© Observador


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