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O Governo dos funcionários públicos /premium

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23.08.2021

1 Sem um líder da oposição credível ou uma oposição minimamente eficiente, a um primeiro-ministro (quase) tudo é permitido. Até levar criar teses económicas ao reino da mais pura fantasia. Vem isto a propósito da última e extraordinária habilidade de António Costa: transformar a baixa taxa de desemprego (6,9% em junho) num milagre económico promovido pelas políticas do seu Governo.

Expliquemos. Na edição de 20 de agosto do Expresso, Costa afirmou: “Foi o sucesso da política económica que adotámos desde 2016 (…) que nos permite chegar hoje e dizer “afinal o desemprego está abaixo, estamos a exportar mais. (…) as empresas investiram mais, como recuperámos o emprego perdido e temos hoje um nível de emprego superior ao da fase anterior à crise.”

Os ministros Pedro Siza Vieira e Ana Mendes Godinho já tinham vendido a tese dias antes de que o baixo desemprego (o Governo chegou a prever uma taxa de desemprego de 10% para esta altura devido á crise pandémica) se devia à “vitalidade da economia”. Siza Vieira afirmou que “o setor dos serviços, o mais afetado pela pandemia, criou só por si mais 100 mil empregos — dos quais 25 mil nos setores do alojamento, restauração e similares”.

No dia seguinte à entrevista de António Costa, um trabalho do Diário de Notícias explicava, contudo, que não será bem assim com base nas contas do Instituto Nacional de Estatística (INE). A criação “impressionante” de emprego só terá sido possível devido ao Estado — e não às empresas. Ou seja, se não fossem os números recorde de contratação pública (aumentou 17% no segundo trimestre), em vez do emprego total aumentar cerca de 4,5%, o mesmo indicador teria caído 3%,........

© Observador


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