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E se legalizássemos o tráfico de influências? /premium

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22.04.2019

1. Lemos e não acreditámos: o PS e o PSD uniram-se para promover uma amnistia indireta dos ex-secretários de Estado de António Costa e dos ex-líderes parlamentares social-democrata no caso Galpgate.

Relemos e continuamos estupefactos: no âmbito da Comissão Eventual para o Reforço da Transparência — cada vez mais, um nome estupidamente irónico –, PS e PSD acordaram que as “ofertas institucionais e hospitalidades” superiores a 150 euros passarão a ser legítimas, desde que sejam registadas. A aplicação retroativa deste novo regime, em virtude dos arguidos terem direito ao regime legal mais favorável, poderá levar ao arquivamento do inquérito, no qual se investigam as ofertas da Galp de viagens e bilhetes de futebol para o Euro 2016 a nove titulares de cargos políticos. A notícia é do Correio Manhã e está suportada no aval do jurista Rui Pereiral, ex-ministro de José Sócrates.

Independentemente das interpretações jurídicas — há sempre para todo os gostos, como sabemos –, o essencial é perceber o que representa este acordo do novo Bloco Central do PS de António Costa com o PSD de Rui Rio. E aqui não tenho grandes dúvidas:

2. Na prática, esta artimanha típica do Bloco Central serve para os senhores deputados do PS e do PSD chamarem totós a Jorge Seguro Sanchez (então secretário de Estado da Energia), Pedro Santana Lopes (então provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa) e Paulo Carmona (presidente do Conselho de Administração da Entidade Gestora de Reservas de Produtos........

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