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A vencedora das Europeias: a abstenção /premium

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27.05.2019

1. Não, não foi o sol e praia que fizeram com que mais de dois terços dos eleitores não fossem votar. Mais de 68% dos eleitores não foram votar porque não quiseram. E se querem procurar dois culpados, concentremo-nos nestes: classe política portuguesa e a União Europeia.

Primeiro, os políticos. De acordo com a sondagem publicada este sábado pelo Expresso, apenas 55% dos portugueses sabiam que as eleições do dia seguinte servia para eleger os membros do Parlamento Europeu. É uma percentagem incrivelmente baixa mas que demonstra bem o afastamento colossal que os portugueses sentem em relação ao órgão do legislativo europeu.

E por que razão existe esse afastamento? Em primeiro lugar, os eleitores não sabem o que fazem os seus representantes porque estes simplesmente não lhes prestam contas. Cada vez mais, e com o alargamento de competências do Parlamento Europeu, decidem-se questões fundamentais em Bruxelas para a vida dos portugueses mas nenhum dos eurodeputados nacionais consegue comunicar o que quer seja com o seu eleitorado. Vão viver para Bruxelas e só dão sinais de vida ao fim de cinco anos — para tentarem renovar um novo mandato.

Portanto, é perfeitamente normal que apenas 55% dos inquiridos da sondagem do Expresso sabem que o são as eleições europeias mas só 31% consegue dizer o nome de um eurodeputado português.

Acresce a tudo isto o facto de os eurodeputados portugueses serem muito pouco influentes e da classe política portuguesa ter desde sempre uma relação claramente subserviente com Bruxelas. Tudo pormenores que não ajudam a reforçar a confiança entre eleitores e eleitos.

Agora a União Europeia. Não deixa de ser uma forte e grande ironia que Portugal seja um dos países que historicamente menos vota nas europeias — as percentagens de abstenção acima dos 60% começaram em 1994 — quando é o país em que os fundos estruturais europeus mais pesam no investimento público nacional: são 84,2%. Uma barbaridade.

Mais outro número: já recebemos mais de 100 mil milhões de euros de fundos estruturais desde que entrou para União Europeia e mais de 69% dos portugueses discorda que o país tivesse futuro fora União Europeia, segundo o Eurobarómetro.

Talvez por........

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