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A Segurança Social e o conservadorismo da esquerda /premium

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15.04.2019

1. Se há tema em que se vê claramente o conservadorismo da esquerda portuguesa é a Segurança Social. Um conservadorismo que é sinónimo de inércia e comodismo e que tem a avestruz com a cabeça bem enterrada na areia como a imagem de marca. Não reformar de forma estrutural para resolver o problema de vez, não mexer nos direitos adquiridos dos pensionistas, não ligar aos sinais evidentes desde há mais 20 anos sobre a insustentabilidade do nosso Estado Social e adiar com a barriga os problemas estruturais de financiamento do sistema de Segurança Social — é a prática política que o PS e a extrema-esquerda defendem desde sempre, o que contrasta com o ‘acordar para a realidade’ que o PSD e o CDS tiveram nos últimos anos.

Não admira, por isso, que esse tom conservador tenha marcado a reação do Governo por via do ministro Vieira da Silva a (mais um) estudo meritório financiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS) e executado por académicos de uma entidade pública (o ICS — Instituto de Ciências Sociais). Desta vez, contudo, houve uma novidade: além do habitual discurso do “está tudo controlado, não se preocupem”, o PS resolveu adotar as teorias conspirativas — que marcam o pensamento dos extremistas do Bloco e do PCP — de que o estudo da ICS/FFMS só aparece porque a aliança entre os malandros da direita e os malvados capitalistas querem abrir o financiamento das pensões ao........

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