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A falta de vergonha na cara de Ricardo Salgado /premium

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04.03.2019

1. Não há pachorra. Sempre que a agenda mediática proporciona uma oportunidade a Ricardo Salgado de acionar a sua cassete em loop (“culpa é do Banco de Portugal e do Governo Passos Coelho”, “culpa é do Banco de Portugal e do Governo Passos Coelho”…), o ex-presidente executivo do BES não desperdiça e lá dá uma entrevista com a mesma mensagem de sempre: “culpa é do Banco de Portugal e do Governo Passos Coelho”, “culpa é do Banco de Portugal e do Governo Passos Coelho”…

E não há pachorra porque a cassete de Ricardo Salgado consegue ser tão rançosa quanto a cassete do PEC IV de José Sócrates. Se este argumenta (de forma delirante) que o PSD de Passos Coelho provocou o pedido de assistência financeira à troika com o chumbo do PEC IV, Salgado continua a não ter vergonha na cara por omitir toda e qualquer responsabilidade da sua parte no descalabro financeiro na gestão do Grupo Espírito Santo (GES) que levou à queda do BES e, consequentemente, à resolução determinada pelo Banco de Portugal.

Desta vez, não só o mau bocado que o governador Carlos Costa está a passar por causa do caso da Caixa Geral de Depósitos, como, acima de tudo, o anúncio de que o Novo Banco vai pedir um reforço de capital de 1.149 milhões de euros depois de um prejuízo consolidado em 2018 que atingiu os 1.413 milhões de euros estão na origem de nova investida de Ricardo Salgado com uma entrevista à TSF.

Vamos ser claros. Se há coisa que Ricardo Salgado deveria fazer era ficar calado publicamente e de se concentrar na sua defesa em todos os processos criminais e de contra-ordenação que foram levantados à sua gestão e do GES pela Justiça e por diversas entidades regulatórias de Portugal, Suíça, Luxemburgo, Estados Unidos e Dubai, entre outros países. Precisamente por respeito aos lesados do BES e do GES — precisamente aqueles que diz agora que não o deixam dormir “totalmente descansado.”

Para contentamento de Ricardo Salgado, vamos........

© Observador