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A credibilidade do choque fiscal de Rui Rio /premium

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08.07.2019

1. Concordo com praticamente todas as propostas do choque fiscal que Rui Rio apresentou a um final de tarde de 6.ª feira da primeira semana de julho. Todas elas são bem-vindas e todas elas configuram um PSD preocupado com duas questões centrais da sua identidade: um crescimento económico sustentado e promovido pelas empresas e os contribuintes de classe média.

Qual é, então, o problema?

Desde logo, a sustentabilidade da proposta. O PSD quer cortar 3,7 mil milhões de receitas fiscais, garantindo que não haverá problemas orçamentais porque o crescimento económico será mais robusto com a receita de Rui Rio, contrariando todas as projeções do Banco de Portugal, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI) que apontam para o óbvio: com a desaceleração da economia mundial, a economia portuguesa será diretamente afetada. Depois do crescimento de 2,8% do PIB em 2017, a economia baixou para 2,1% em 2018 (contrariando a projeção do Governo de 2,3%), deverá ficar este ano nos 1,7%, no mesmo valor em 2020 e em 1,6% em 2021. Ora, só em 2023, o PSD espera que o PIB suba 2,7% — apostando forte nos estímulos ao investimento e no investimento público.

Não duvido da bondade das propostas da equipa liderada por Joaquim Miranda Sarmento (um jovem economista de qualidade com curriculum sólido que chegará sempre ao Ministério das Finanças de um Governo PSD). Mas custa-me a acreditar que o Banco de Portugal, Comissão Europeua e FMI estejam completamente errados.

Por outro lado, e aqui entra a parte estritamente política, o PSD (e o PS e o CDS) têm um passado de promessas de baixas de impostos, logo convertidas em promessas não cumpridas ou até mesmo em subidas de impostos quando chegam ao poder e são confrontados com aquilo que designam de choque com a realidade. Foi assim com Durão Barroso, tal como Passos Coelho prometeu não aumentar os impostos além do que estava previsto no memorando da troika até chegar Vítor Gaspar e executar um “enorme aumento de impostos.”

Logo, os eleitores olharão sempre com........

© Observador