A Esquerda contra a Burqa |
Face à recente aprovação da proibição do uso da burqa em espaços públicos pela direita, na Assembleia da República, gerou-se a expectável celeuma em torno da matéria. A esquerda votou contra, pese embora haja razões distintas e que até possa acolher. No entanto, a esquerda progressista deve defender a proibição da burqa no espaço público. A celeuma em torno desta posição prende-se pelo facto de a esquerda progressista – onde me insiro – ser, por vezes, associada a uma imagem de proto-libertinagem e relativismo moral, de permissividade para com determinados costumes e tradições não-Ocidentais que possam flagelar inclusive direitos humanos e direitos das minorias. Tal realidade consubstanciaria uma hipocrisia e uma violação da memória histórica e intelectual da esquerda no Ocidente. Posto isto, a esquerda não pode abandonar os seus princípios fundamentais de laicidade, igualdade – em particular, de género nesta instância – e universalismo.
No presente, em que o relativismo cultural e seletivo de certos setores à esquerda e à direita ameaçam subverter os pilares da democracia liberal e secular, urge consagrar que o espaço público deve ser neutro, livre de símbolos religiosos e efetivamente igualitário. Imbuído deste espírito, advogo, partindo de uma posição de esquerda, a proibição da burqa – e de demais indumentárias religiosas, sejam muçulmanas, católicas ou de qualquer estirpe – no espaço público. Nesta esteira, a laicidade, vitória histórica da esquerda republicana, não é uma questão somente........