Belém ou oposição?
Ainda antes de tomar posse, António José Seguro já condicionava o rumo de uma das reformas mais sensíveis do país. Durante a campanha presidencial, quer antes quer depois da segunda volta, repetiu várias vezes que não promulgaria a reforma laboral caso esta não tivesse o acordo da UGT em sede de concertação social. A posição acabou por ter impacto no próprio processo negocial. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, chegou mesmo a acusar publicamente Seguro de ter dado “respaldo” à central sindical para rejeitar sucessivamente as propostas do Governo, ao sentir-se legitimada pelas declarações do então candidato presidencial. O episódio acabou por antecipar o estilo de intervenção que Seguro traria para Belém.
Eleito Presidente da República em fevereiro de 2026, depois de derrotar André Ventura na segunda volta, António José Seguro não perdeu tempo. Ainda o país avaliava os estragos provocados pela tempestade Kristin e já o novo Chefe de Estado estava no terreno, junto das populações afetadas. Foi mais um sinal da forma como entende a magistratura de influência. Nos meses seguintes, essa forma de estar, interventiva em alguns casos e silenciosa noutros, começou a revelar um padrão que merece reflexão.
Na sequência da tempestade Kristin, o Presidente realizou uma Presidência Aberta de cinco dias pela região Centro, visitando concelhos como Vila de Rei e apresentando depois um relatório de 96 páginas onde classificou o episódio como “uma crise territorial de natureza sistémica”. Paralelamente, lançou o Pacto Estratégico para a Saúde, liderado por Adalberto Campos Fernandes, enquadrado no processo de preparação de uma futura Lei de Bases da Saúde. Já na crise relacionada com a correção dos exames........
