Greve? Comam brioche!

Montenegro perguntou no debate quinzenal da passada sexta-feira — “Uma greve geral porquê? Uma greve geral para reclamar o quê?”. Bem sei que no mesmo país, nem todos vivem no mesmo país. Eu tenho 24 anos e vivo num país onde muitos jovens ouvem os governantes cantar uma promessa de futuro, mas os jovens sabem que até mesmo dizer que o futuro está adiado é um eufemismo. O futuro não existe. Muitos de nós saem da faculdade já com o futuro espezinhado, com promessas de estágios remunerados, mas não há vagas nem dinheiro, nem no Estado nem no privado. Vou dar o exemplo dos psicólogos, porque estou dentro do assunto. Oferecem-nos trabalhos de 40 horas por semana, alguns a receber 600 euros a recibos verdes. Pedem que tenhamos viatura própria, e nós, com 22, 23, 24 anos, acabados de sair de um mestrado, rimo-nos a perguntar aos nossos botões onde está o dinheiro para pagar esse carro, essa gasolina, esse estacionamento, esse seguro (e essa casa que supostamente já estávamos na idade de tentar arrendar) quando tantos acabaram de pagar um curso e ainda trabalharam ao mesmo tempo para o pagar. Dizem-nos que com essa viatura imaginária, o trabalho é andar entre Caparica, Amadora e Sacavém a visitar escolas e a apagar fogos de crianças, adolescentes e pais. Mas no SNS, os psicólogos ainda são um mito,........

© Observador