A Banalidade do Silêncio

Vivemos um paradoxo que define a nossa era: nunca estivemos tão equipados para comunicar e, no entanto, raramente nos sentimos tão isolados. As nossas cidades fervilham de sinais de Wi-Fi, os nossos bolsos vibram com notificações incessantes, mas nos transportes públicos, nos cafés e até à mesa de jantar, reina um silêncio conectado. Cada um de nós, imerso no seu próprio universo digital, transforma-se numa ilha numa sociedade arquipélago. É neste cenário de aparente desumanização que a obra “Humanidade: Uma História de Esperança”, do historiador holandês Rutger Bregman, surge não apenas como um livro, mas como uma necessária lufada de ar fresco e um convite à rebelião contra o cinismo.

Bregman desafia uma das mais enraizadas premissas do pensamento ocidental: a de que o ser humano é, por natureza, egoísta e movido por interesses próprios, uma besta selvagem contida por um fino “verniz civilizacional”. Com uma argumentação robusta, que viaja desde as comunidades pré-históricas até às crises contemporâneas, o autor demonstra que a nossa verdadeira força motriz evolutiva não foi a competição, mas sim a cooperação. O que nos distingue não é a capacidade de sermos lobos uns dos outros, mas a nossa extraordinária aptidão para a ajuda mútua, para a empatia e para a confiança.

Esta tese, contudo, colide frontalmente com a realidade que observamos. Se somos tão inerentemente bons, por que razão as nossas interações se tornam cada vez mais fragmentadas e superficiais? A resposta pode residir naquilo que, na........

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