Escolherei entre o meu Papa e o meu Presidente?

O Presidente Trump esteve muito mal, e acho que nunca disse isso. Sou MAGA desde que votei nele pela primeira vez em 2016. Agora criticou o Papa e disse “Eu não gosto deste Papa.” Ninguém lhe perguntou e a opinião dele não interessa para nada. Os católicos acreditam que é o Espírito Santo que elege o Papa. Um em cinco americanos são católicos, a maior fação de cristãos nos Estados Unidos. Eles certamente não estarão contentes, juntamente com os evangélicos, que também ficaram desapontados com a imagem postada de Trump vestido como Jesus a curar com uma luz divina. Foi uma tentativa de piada, certamente, que nada teve de piada mas sim de sacrilégio e blasfémia. Ainda bem que foi retirada.

Não exageremos: não foi tão grave assim como, claro, os media e os críticos de Trump o querem fazer. Desde 2016 que o que vende é falar mal de Trump, chamar-lhe maluco e dizer que quer apoderar-se do mundo. Nada os convencerá que Trump não é maluco, é extremamente inteligente, lúcido e sabe fazer negócios.

Escreveu Trump no capítulo 2 do seu livro The Art of the Deal: “O meu estilo de negócio é bastante simples e prático. Ponho o alvo muito alto e depois insisto e insisto e insisto para obter o que quero. Por vezes aceito menos do que procurava, mas na maioria das vezes, ainda obtenho o que quero.”

Nunca sabemos se Trump está a fazer “bluff” ou quais são os verdadeiros objetivos. Está a jogar xadrez num plano geopolítico. Em vez de ir diretamente contra a China ou a Rússia, está a tirar-lhes os aliados: Venezuela e Irão, e mais importante, o fornecimento financeiro e de petróleo.

Trump tem muita razão quando diz que ganhou por maioria, por “landslide”. Os presidentes americanos não precisam de ganhar o voto popular, mas ele ganhou. Os americanos votaram neste líder forte, como diz o lema do exército americano “paz através da força”. Votaram e estão satisfeitos com as políticas que prometeu e está a pôr em prática. Criticou o Papa sobre o crime e a segurança, mas esses são os pontos fortes de Trump e o seu foco, e ainda melhorar a economia e assegurar bons trabalhos para os americanos.  Se os europeus querem ir noutra direção e ter outros focos, é com eles.

Trump não tem razão em referir as opiniões políticas do Papa. O Papa respondeu bem: as missões de ambos estão em planos diferentes. As mensagens de ambos estão em planos diferentes. Trump é comandante dum exército. A Igreja não se identifica com nenhum partido político e é metapolítica. Deixa total liberdade aos seus fiéis para votarem de acordo com a sua consciência.

Nada de novo debaixo do sol, diz o livro de Eclesiastes. Desde o início do cristianismo e e especialmente ao longo da Idade Média que há luta entre poder temporal e poder espiritual. Existe uma carta do Papa Gelásio I ao Imperador Anastácio I em 494, em que ele explica que os seus poderes estão em diferentes planos. O poder espiritual tem mais responsabilidade e peso porque o Papa é responsável perante Deus pelo Presidente e o contrário não é verdade. Houve papas e imperadores que foram à guerra uns contra os outros. Dante também escreveu sobre o assunto, pois na altura dele havia um partido mais a favor do Papa e outro partido mais a favor do imperador.

Infelizmente, sempre houve um certo messianismo à volta de Trump para os americanos. Enfrentou e continua a enfrentar muita malícia, numa época conturbada e cheia de corrupção. Refez a política americana. Que este erro sirva para os americanos largarem esse messianismo e ver tanto o Papa como o Presidente como os homens fracos e pecadores que somos todos. Houve papas que cometeram pecados gravíssimos;  presidentes e imperadores, então nem se fala. A Igreja durou mais do que o Império Romano, qualquer outro império e durará mais do que este império americano. Não pela santidade pessoal e opiniões políticas do Papa, mas porque conta com a ajuda do Espírito Santo e com a promessa que as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Cristãos e não cristãos não devem achar que a política os salvará. A Bíblia retrata muito mal os políticos e o poder temporal. Israel pedia um rei e Deus avisou que um rei não os trataria bem, mas acabou por ceder e dar-lhes Saul. Ao longo do Antigo Testamento, os reis geralmente perseguem judeus e profetas. No Novo Testamento, o Império Romano mata o próprio Deus e os seus seguidores.

Não tenho que escolher entre o meu Presidente e o meu Papa. Continuo a gostar dos dois, com os seus defeitos, erros e fraquezas.

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