Um copo meio cheio ou um copo meio vazio?

1 Fechou-se, com esta segunda volta das eleições presidenciais, um tempo na história da nossa democracia – e abre-se um tempo diferente, obrigatoriamente com outros protagonistas, mas sem que seja claro que com novas soluções.

Os cinco primeiros presidentes da nossa democracia eram todos, de uma forma ou outra, filhos da revolução de 1974 – pela sua idade, pelo seu percurso político, pelas referências que corporizavam.

António José Seguro não vem desse tempo, nem já o representa. Como Luís Montenegro também não. E André Ventura é o sinal de uma ruptura (geracional e política) com esse tempo cuja dimensão ainda desconhecemos.

Muitos, nestas últimas semanas, tentaram apresentar a votação de ontem como uma escolha entre democracia e outra coisa qualquer – discordei, discordo e ontem, decorrida tranquilamente a votação e ouvidos os discursos do candidato derrotado e do Presidente eleito, acho que se comprovou isso mesmo. E isso também foi a demonstração de um tempo novo, um tempo que já não se encaixa em discursos “antigos”.

Há um ano ninguém imaginaria que António José Seguro pudesse regressar do seu longo exílio político e protagonizar uma campanha capaz de o levar a Belém. Mas aconteceu – por mérito próprio, por desméritos alheios e também porque o travo........

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