SIGIC: solução ou caixa de Pandora? |
Um recente trabalho de investigação jornalística fez rebentar um escândalo sobre ganhos excessivos recebidos no âmbito da actividade de SIGIC no maior hospital do SNS. Conheço bem o SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia) desde o tempo em que tive responsabilidades de direção de serviços no SNS e, implicitamente, responsabilidades na gestão de listas de espera e na administração do SIGIC na unidade que dirigia.
Agora o país acordou para uma realidade que desconhecia, realidade que escandalizou os cidadãos e fez soar, como sempre entre nós, campainhas apressadas para as mais variadas auditorias e inquéritos pelas autoridades do sector da saúde e de fora dele. Como consequência sugerem-se já processos disciplinares, reclamam-se responsabilidades, propõem-se afastamentos e punições. Mas a análise dos casos individuais feita no calor da indignação que situações deste tipo sempre suscitam, não deverá afastar-nos da reflexão séria que permite entender-lhes as causas e, sobretudo, impedir a sua repetição.
Ora vejamos: a actividade do SIGIC nasceu há muito com a intenção de servir os doentes impedindo esperas demasiado longas para procedimentos. O SIGIC implica, necessariamente, o assumir de que o SNS não é capaz, com a sua estrutura presentemente instalada (sobretudo de pessoal), de assegurar a prestação universal de cuidados a que se obriga, em tempo adequado e aos cidadãos que o procuram.
Por isso, enquanto gera, por........