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Soares dos Santos vs Sócrates, 2011 /premium

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20.08.2019

Muitos dos bons negócios de Alexandre Soares dos Santos deveram-se ao seu sentido de oportunidade. A opção de investir na Polónia, a ida para a Colômbia, o lançamento da Fundação Francisco Manuel do Santos, tiveram sucesso devido ao momento decisivo em que se avançou. A prova que Soares do Santos era um empresário acima do comum é que esse sentido de oportunidade, que tão bem demonstrou em vida, também esteve presente na hora da morte.

Ter-se finado no auge da greve dos motoristas foi uma decisão genial. Soares dos Santos sabia que a sua morte ia espoletar a habitual sanha anti-empresário e, ao optar por falecer quando faleceu, obrigou a esquerda radical a sair à rua com a ladainha do patrão malvado e dos salários baixos, ao mesmo tempo que, para não escangalhar o arranjinho que tem no Governo, está ao lado dos patrões malvados e dos salários baixos, contra os grevistas.

É o mesmo que surpreender um vegan a lambuzar-se com uma entremeada num churrasco e pedir-lhe para, sem limpar os dedos, explicar a sua dieta à base de bagas. Soares dos Santos mostrou que, mesmo defunto, tem mais faro do que muitos empreendedores vivos. Até a falecer provou ter bom timing.

Percebe-se a antipatia que a extrema-esquerda sente por Alexandre Soares dos Santos. Ter montado uma cadeia de supermercados que funcionam bem sublinhou ainda mais, por oposição, que os comunistas andam há décadas a impingir o mesmo produto fora de prazo. E um produto que não se limita a causar um desarranjo........

© Observador