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S. António, casa as bloquistas com a coerência /premium

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30.04.2019

Ó meu rico Santo António
Ó meu santo popular
Leva lá o Bolsonaro, leva lá o Bolsonaro
Para o pé do Salazar

Já todos conhecemos a quadra que as deputadas do BE cantaram no desfile do 25 de Abril. É uma quadra problemática. Mas não por, como tem sido dito, ser uma ameaça de morte a Bolsonaro. Um slogan ensoando numa manifestação não é o mesmo que uma ordem berrada a uma turba, à porta da vítima que se quer executar. Há um contexto. É como quando uma claque imita o silvo de um very light, ou um grupo de jovens canta “e se o João quer ser cá da malta, tem de beber este copo até ao fim”. Nem estão a ameaçar os adeptos rivais de morte, nem vão expulsar o João do grupo apenas por ser um choninhas responsável. São só coisas estúpidas que bandos de jovens cantam em situações que potenciam a parvoíce, como jogos de futebol, saídas à noite e marchas políticas pela liberdade, num país onde já há liberdade e, como tal, se querem sair nos jornais, é melhor dizerem coisas que escandalizem os adultos.

Julgo que já passámos a fase de ter de defender o direito de alguém dizer o que quiser, por mais ofensivo que possa ser considerado por outras pessoas. O que, sinceramente, nem é o caso. Se as bloquistas desejassem mesmo mal a Bolsonaro, não pediam ao santo que o trouxesse morto, pediam era que o trouxesse moribundo, para ser tratado no Serviço Nacional de Saúde no estado em que o Bloco o quer deixar, com atrasos, listas de espera, falta de material e, mais importante, sem privados. No fundo, até foram meigas.

O problema da quadra também não é a incoerência de quem costuma ser tão sensível à linguagem que ainda há um mês fez queixinhas do deputado que afirmou que uma palestra sobre identidade de género era “uma porcaria”, por ser “inaceitável” dizer-se isso, mas que agora acha........

© Observador