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Portugal, um país à prova de fake news /premium

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21.05.2019

Vasily Vasilevich é o responsável pelo Departamento Português da Divisão de Promoção do Populismo em Democracias, a mais destacada fábrica russa de fake news. Como sempre, sente-se nervoso por ir reunir com o Director Guzev Guzevich, a lenda viva da desinformação, o Super-Troll que, com apenas 3 posts de Facebook, consegue introduzir o vírus do populismo em regimes democráticos. Foi ele a convencer os americanos a elegerem Trump, os ingleses a optarem pelo Brexit e os brasileiros a votarem em Bolsonaro. Vasily sente o peso da responsabilidade. Respira fundo antes de entrar.

– Posso, chefe?

– Entra, Vasily Vasilevich. Senta-te. Sabes que acompanho a situação de Portugal com carinho.

– Não sabia, chefe.

– Estive lá em 1975. Era um jovem oficial do KGB, a recolher informação do PCP.

– Espere, o PCP dava informação a uma potência estrangeira? O PCP anti-Europa, que abomina ingerência externa?

– Esse mesmo. Na altura estava doido para se enfiar na cama connosco. Metafórica e literalmente. Fartei-me de brincar ao gulag com fogosas camaradas alentejanas – os olhos de Guzevich brilham. – Mas não foi para isso que te pedi para vir cá. Chamei-te por causa do pedido de mais recursos para o teu Departamento. Há aqui uma coisa não percebo.

– O quê, chefe?

– Não faz sentido. Não parece haver necessidade de mais gente. Por exemplo, a forma como estás a trabalhar o CDS. Só no último mês, o teu Departamento conseguiu passar a ideia de que um partido que sempre defendeu o rigor orçamental, agora é a favor devolver tudo aos professores. Mais: inventou a questão das passadeiras gay para mostrar o CDS a contradizer-se outra vez. Já para não falar do candidato às Europeias que diz que o Vox não é de extrema-direita. A tua equipa está de parabéns! São estas fake news que criam desconfiança em relação aos partidos do sistema. Pelos vistos, tens recursos........

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