Anteriormente em “O julgamento de Sócrates”
De acordo com os meus registos, a última vez que aqui falei sobre o julgamento de José Sócrates foi em Setembro. Entretanto, passaram-se dois meses e ocorreram uma série de episódios caricatos que merecem referência. Impõe-se um aggiornamento. Ou, uma vez que se trata de José Sócrates, um aggiornamentiroso. Vou tentar ser sucinto e resumir como as revistas de televisão fazem com as telenovelas.
No fim de Setembro, foram ouvidos vários inspectores da Autoridade Tributária, que confirmaram que José Sócrates usava o amigo Carlos Santos Silva como uma espécie de multibanco. A única diferença é que este multibanco, em vez dos habituais 200 euros, permitia levantar 10 mil. E também não era preciso passar cartão, na medida em que Sócrates nunca deu uma justificação a Santos Silva sobre os valores que lhe exigia.
Uma semana depois, foi a vez de depor Tânia Gouveia, ex-companheira do irmão de Sócrates. Revelou que a relação que a família Pinto de Sousa tinha com o dinheiro era muito secreta, e que António Pinto de Sousa, seu companheiro e pai da sua filha, nunca lhe dizia nada sobre o dinheiro. Na realidade, é possível que até dissesse, mas como Sócrates e o seu grupo comunicavam em código, se Tânia não soubesse que “documentos” eram notas, nunca perceberia. O que Tânia achava serem conversas sobre burocracia, na realidade eram sobre dinheirinho. Antes de terminar, queixou-se do facto de a sua filha não ter recebido a parte que caberia ao seu pai dos imóveis que a mãe de Sócrates foi vendendo. Disse que foi tudo para Sócrates. Pelos vistos, não foi só a herança da mãe que o sustentou: Sócrates também se abarbatou da herança da sobrinha.
Seguiu-se o testemunho de Fernanda Câncio que, até agora, julgávamos ter sido namorada de José Sócrates. No entanto, a forma como a jornalista caracterizou a ligação que teve com o ex-PM deixou dúvidas sobre a sua natureza. Câncio respondeu à questão sobre se manteve uma relação amorosa com Sócrates: “Nunca tive vida em comum com esta pessoa, nunca coabitei com esta pessoa, nunca tive economia comum com esta pessoa. Creio que isto é suficiente”. Aliás, Fernanda Câncio referiu-se muitas vezes a José Sócrates como “esta pessoa” (mas não “sempre”, como a própria fez questão de frisar num Direito de Resposta no Público. Apenas as suficientes para causar estranheza).
Por coincidência, mais ou menos à mesma hora a que Câncio testemunhava, era posto à venda o livro “José Sócrates – Ascensão”, de João Miguel........





















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