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Anda comigo benzer os aviões

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14.04.2026

Nas férias da Páscoa levei a minha família a África. Os meus filhos nunca tinham viajado para nenhum sítio tão exótico e achei que o convívio com uma cultura diferente lhes ia fazer bem, habituados que estão à moleza da civilização europeia. Não me enganei. O choque foi imediato. Logo no aeroporto de Joanesburgo, onde apanhámos o voo de ligação para o Zimbabué, foram confrontados com uma forma diferente de fazer as coisas.

No controlo de segurança do aeroporto, ao passarmos os nossos pertences no raio X, a mochila do meu filho mais novo ficou retida. A funcionária perguntou se podia abri-la e eu tive de concordar, enquanto pensava receosamente “queres ver que o sacana do puto trouxe uma tesoura ou assim?” Mas, não, eram só os brinquedos de animais dele. A senhora foi esvaziando a mochila, enquanto dizia: “Este elefante passa. A cobra, não. O búfalo, sim. O crocodilo, não. A zebra, sim. O dinossauro, não”. No fim, tinha retido todos os répteis, impedidos de entrar no avião, e liberado os mamíferos, autorizados a viajar. Não só para calar o choro do meu filho, cujas lágrimas se aproximavam perigosamente do limite permitido de líquidos, mas também com curiosidade genuína, perguntei: “Porque é que estes não podem?” Ao que a segurança, com o tom mecânico de quem recita um regulamento memorizado, respondeu: “São animais assustadores. Impossível”. A fila de passageiros irritados atrás de nós fez com que não tivesse oportunidade de contra-argumentar, esclarecendo que me assusta mais um elefante do que um triceratops roxo.

De maneira que passei a meia-hora seguinte a explicar ao meu filho, com sobranceria colonialista, que os........

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