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Amorfo da mãe /premium

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18.06.2019

A partir do próximo ano lectivo, os funcionários públicos com filhos até 12 anos vão poder faltar ao trabalho no primeiro dia de aulas dos petizes, para os acompanharem à escola. Mais uma vez, o Governo implementa uma medida amiga da família, daquelas que fazem as pessoas quererem ter mais filhos. Nos lares de funcionários públicos, esta tem sido uma conversa recorrente na hora de ir para a cama:

– Querida…

– Que foi? Estou a ver a novela, não me maces.

– Hoje é a primeira quarta-feira do mês…

– Então vai buscar o preservativo. Não podemos ter mais crianças, não temos condições!

– Isso era dantes! Não sabes que o Governo nos vai deixar faltar ao serviço no primeiro dia de aulas do nosso filho?

– A sério? Que estupendo incentivo à natalidade! O meu útero já está a latejar! Vamos lá mitigar o inverno demográfico! Hoje em conchinha, pode ser?

Apesar da excelente intenção, é uma lei que precisa de ser aperfeiçoada. Por exemplo, não é aceitável o limite de 12 anos. É curto. Discrimina os alunos do 8º ano, por exemplo. Muitas vezes, um jovem de 14 ou 15 anos sente-se mais nervoso no primeiro dia do que um rapazinho de 11 ou 12. Com o ridículo buço e a voz a alternar entre o falsete e o gutural, estará mais envergonhado do que uma criancinha da 1ª classe. Precisará ainda mais do amparo de sua mãe. Um adolescente cuja mamã o tenha defendido da tragédia de uma borbulha no queixo, em gratidão tatuará no braço “Amorfo da mãe”. Caso vença o medo de agulhas,........

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