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Afinal, em que é que gentrificamos?

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21.04.2026

Nem um mês depois da bombástica transferência de Francisco Rodrigues dos Santos da direita para a esquerda – provavelmente, a troca mais escandalosa desde que Figo abandonou o Barcelona e assinou pelo Real Madrid – a direita desforrou-se em grande estilo. Apesar de abalada, não demorou muito a substituir o Chicão, indo recrutar à esquerda uma figura igualmente emblemática: no fim-de-semana soubemos que Joana Mortágua abriu um negócio! A ex-deputada e dirigente do Bloco de Esquerda abraçou o capitalismo, investindo dinheiro e trabalho numa actividade económica no mercado aberto, em concorrência livre com outras similares, tendo como objectivo final o lucro.

Da mesma forma que Chicão foi estudar psicologia, conheceu pessoas diferentes, tornou-se mais empático e, naturalmente, ficou de esquerda, também Joana Mortágua foi influenciada pela mudança das suas circunstâncias de vida. Ao perder o emprego no Parlamento, Mortágua fez contas, percebeu que precisava de ir ganhar dinheiro e que a forma mais prática de o conseguir seria tornando-se proprietária de um estabelecimento comercial. Obviamente, ficou de direita.

Gostava de ter estado na casa da família Mortágua quando Joana contou os seus planos. “Portanto, tenciono adquirir produtos ao preço mais baixo possível e vendê-los com uma margem suficiente para pagar a renda, a luz, a água, os consumíveis, os impostos, os salários, a limpeza, a manutenção, o marketing nas redes sociais e retirar um rendimento para mim e para os meus sócios.

“A mais-valia não fica para o trabalhador?”, há-de ter........

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