Acabem com esta campanha presidencial!

Felizmente a campanha de rua e todos e quaisquer debates acabam amanhã. Felizmente. Os candidatos à Presidência da República deixaram que a campanha os apanhasse num jogo rasteiro de acusações e contra-acusações, ataques pessoais e tentativas sistemáticas para denegrir outros candidatos. O resultado foi um espetáculo paupérrimo, ruidoso e indigno do cargo a que se propõem. Vale a pena recordar outros tempos, não por nostalgia, mas por exigência. A campanha de 1986, por exemplo, pela elevação política que teve, pela ideologia expressa (Diogo Freitas do Amaral, Mário Soares, Salgado Zenha, Maria de Lurdes Pintassilgo), serve hoje sobretudo como contraste. Mas também como alerta. Alerta do que nunca mais teremos.

Em quarenta anos fomos capazes de degradar o debate político, empobrecer a linguagem, perder toda a profundidade intelectual e substituir a exposição de ideias pela insinuação........

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