Trump, Irão e a arte de negociar com porta-aviões |
A propósito das actuais negociações entre os EUA e o Irão a pergunta que se repete nos corredores diplomáticos, nos estúdios televisivos e nas redacções é inescapável: Trump prepara-se para atacar o Irão ou está apenas a encenar a ameaça como instrumento negocial?
A dúvida nasce de uma estratégia que mistura sinais militares, retórica excessiva, fugas selectivas de informação e uma ambiguidade diplomática que já se tornou a marca desta administração americana.
Caos ou aparência de caos?
Observadas com alguma distância, as peças encaixam-se num padrão de coerção negocial, típico da história recente da política externa americana: Trump ameaça, amplifica o tom, exige tudo, desloca meios militares, cria a sensação de iminência e, no exacto momento em que se começa a acreditar que a escalada é inevitável, regressa à mesa das negociações proclamando vitória antes mesmo de a negociação começar. A força não surge como destino, mas como argumento.
A retórica pública do presidente norte-americano aponta nesse sentido. Insiste que Teerão “tem de voltar à mesa”, promete que qualquer ataque futuro será “muito pior” do que os anteriores e fala de “armadas” em deslocação para a região com grande exuberância verbal. Mas, na prática, não há ainda nenhum compromisso operacional inequívoco. Apenas a linguagem e a gesticulação de quem quer intimidar, não a de quem já decidiu avançar. Os grandes primatas fazem isso e nós compreendemos esse tipo de sinais, estão nos nossos arquétipos.
Os objectivos declarados dos EUA são os mesmos de sempre: travar o programa nuclear iraniano, limitar o desenvolvimento de mísseis balísticos, conter a rede de proxies regionais que permite a Teerão projectar poder sem consequências e, eventualmente, derrubar o regime. Os do Irão são exactamente os opostos, todos ao serviço do grande objectivo de hegemonia regional.
É revelador que não exista uma declaração formal de mudança de regime como objectivo oficial, nem um plano anunciado para desmantelar a Guarda Revolucionária, o........