Direitos Humanos por marcação prévia
Ben-Gvir, o ministro das polícias de Israel é um ferrabrás que parece ter sido inventado pelos inimigos de Israel.
Interceptar uma flotilha saída da Turquia, carregada de idiotas úteis, activismo pago, câmaras e vontade de provocar, era uma operação juridicamente inatacável, politicamente delicada e comunicacionalmente explosiva.
A marinha israelita fez bem o que devia e impediu discretamente a violação do bloqueio naval de Gaza.
Mas depois apareceu Ben-Gvir, que ofereceu de bandeja aos organizadores da flotilha, exactamente aquilo que eles procuravam.
Os figurantes foram mostrados ajoelhados, de mãos atadas, enquanto o ministro passava por ali como se estivesse a inaugurar uma feira agrícola. Ben-Gvir não defendeu Israel. Prejudicou-o. Entregou à propaganda antissemita munições, legenda e distribuição gratuita. Netanyahu percebeu-o. Gideon Saar percebeu-o. Aliás, como qualquer pessoa com dois neurónios em activdade.
Só Ben-Gvir parece ter achado que transformar outros cretinos políticos em cenário para vídeos de redes sociais era prova de firmeza. A estupidez é um abismo a contemplar outro abismo.
Convém, porém, separar as coisas. A estupidez de Ben-Gvir não transforma automaticamente a flotilha numa missão franciscana, nem converte o bloqueio naval numa “violação do DI”, como certos comentadores se atropelam a declamar, sem qualquer noção do ridículo. O relatório Palmer, elaborado na sequência de outra flotilha vinda da Turquia, em 2010, concluiu que o bloqueio naval de Gaza era uma medida legítima de segurança para impedir a entrada de armas por mar. O Manual de San Remo também não foi escrito por tenebrosos “sionistas”, e admite a captura de navios que procurem violar um bloqueio, desde que este cumpra os requisitos legais e humanitários, como é o caso. Sim, em águas internacionais, se for entendido como conveniente.
Ou seja, uma coisa é discutir a cena triste de Ben Gvir, outra é fingir que qualquer barco com parolos, câmaras e slogans adquire, por milagre instantâneo, imunidade diplomática e santidade jurídica.
A flotilha do Hamas não era uma arca de Noé da caridade universal. Era uma operação política. O seu objectivo não era levar pão, medicamentos ou tendas; era furar o bloqueio, ajudar o Hamas, produzir confronto e oferecer ao mundo a fotografia da indignação. Ben-Gvir,........
