A Somalilândia existe. A hipocrisia também

Israel reconheceu a Somalilândia e o mundo indignou-se com automatismo pavloviano. Mal soou o sino, a salivação foi diluviana. Governos, organizações internacionais, governantes de rosto sério e convicções elásticas precipitaram-se para denunciar um intolerável atentado à ordem internacional, entidade respeitável que, pelos vistos, só está em causa quando há judeus na equação.

A indignação foi particularmente ruidosa entre os países “palestinianistas” que passaram o ano de 2025 a reconhecer com entusiasmo militante um Estado que nunca existiu, nem antes, nem depois da formação do sistema solar, mas que, por alguma razão metafísica, passou a ser tratado como evidência empírica. Um Estado imaginário, sem fronteiras definidas, sem soberania efectiva, sem território indisputado, sem poder único reconhecido, sem governo funcional e, detalhe delicioso, que se negou obstinadamente a existir durante décadas, quando o podia fazer no minuto seguinte.

Pelo caminho, surgiram até especialistas televisivos do ISCTE e militantes “antissionistas” a garantir, que Jesus Cristo era “palestino”, seja lá o que isso for, num exercício de anacronismo tão chalupa que faria corar de vergonha um aluno da antiga 4ª classe. Nada como projectar categorias do século XXI sobre a Judeia romana para afundar no ridículo a causa antissemita do momento. A verdade histórica, como se sabe, é colonial, opressora, machista,........

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