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A paz dos cegos e a moral dos cobardes

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17.04.2026

No  Ocidente a palavra “paz” serve para tudo. Para evitar pensar, para fugir a escolher, para obter “likes”, para branquear cobardias e, sobretudo, para transformar a confusão moral em virtude cívica.

Não a paz construída, que  resulta de uma vitória justa sobre a barbárie, ou como consequência de uma ordem minimamente civilizada. Não. A paz como ruído de fundo. A paz como mantra de exibição virtuosa. A paz como xarope ideológico administrado a sociedades demasiado preguiçosas para distinguir entre quem agride e quem se defende. A paz como sabão universal para lavar regimes, movimentos e causas que merecem juízo, repúdio e  derrota, não compreensão hipócrita ou naive.

Mas foi nesse registo, tão ungido quanto oco, que o Papa Leão XIV resolveu intervir sobre a guerra com o Irão, condenando a guerra em abstracto, declarando que “Deus não abençoa nenhum conflito”.

A jaculatória  tem a respeitabilidade vistosa das banalidades redondas, sobretudo vinda do quem foi Prior Geral dos Agostinianos e que  certamente presente a teoria de Santo Agostinho, segundo  a qual  a guerra é moralmente admissível se tiver justa causa,  a intenção de restabelecer a paz e a ordem, sendo que a  violência pode ser tolerada como mal menor para conter uma injustiça maior.

As palavras do Papa foram pois daquelas platitudes  que arrancam suspiros em auditórios de exibição de virtudes públicas, e bocejos a quem ainda conserve uma relação adulta com a realidade. Porque o problema não está em desejar a paz. O problema está, neste caso particular,  em invocar a paz de tal modo que a oligarquia teocrático- terrorista do Irão e as democracias que a combatem acabam colocadas na mesma prateleira moral. E isso já não é cristianismo e muito menos bebe em Santo Agostinho. É apenas lavagem da barbárie com água benta.

O Irão não apareceu anteontem no mundo, nem é apenas um mal-entendido diplomático. A República Islâmica, que nos trata por “Satanás”,  leva décadas a oprimir e matar o seu povo, a exportar fanatismo, a ameaçar um povo de genocídio, a financiar milícias e a transformar o terrorismo numa........

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