A sondagem e as campanhas amadoras |
Daqui a uns anos, quando se escreverem artigos de jornal, livros ou séries de televisão sobre as eleições presidenciais de 2026, tenho a certeza de que a sondagem que a CNN apresenta diariamente figurará em lugar de destaque. A capacidade de um grupo de comunicação social impor uma narrativa diária – vencedores e derrotados, subidas e quedas – transformou a campanha num exercício permanente de reacção à última curva do gráfico.
Este fenómeno não é novo – nas eleições de 2022, a mesma sondagem dava António Costa e Rui Rio virtualmente empatados nos dias finais da campanha, culminando depois numa vitória retumbante de Costa. No entanto, em 2026, a importância da sondagem diária atingiu um paroxismo inédito. A sondagem deixou de ser um instrumento de leitura da campanha para passar a ser um dos seus principais motores, sugerindo um movimento constante com uma tendência clara e uma direcção inequívoca. Na prática, oferece ruído apresentado como sinal. Os agentes políticos afinam as suas declarações, agendas, assim como os silêncios em função de variações estatisticamente marginais, muitas vezes dentro da própria margem de erro, o que significa que não podemos rejeitar que, na verdade, todos........