Portugal: o país onde arrendar é um risco

Portugal não tem um problema de falta de casas. Tem um problema de falta de confiança. Mas tem também algo mais profundo e raramente assumido: um sistema de incentivos que beneficia diretamente do mau funcionamento do mercado de arrendamento. Enquanto este bloqueio persistir, continuaremos a empurrar gerações inteiras para o endividamento como única forma de acesso à habitação.

Os números são claros. Segundo o Banco de Portugal, o crédito à habitação representa cerca de 80% do crédito total às famílias e ultrapassa os 100 mil milhões de euros. Para a banca, trata-se do ativo mais seguro, previsível e rentável, sustentado por garantias reais e contratos de longo prazo. Num país onde arrendar é caro e inseguro, este modelo torna-se dominante por força das circunstâncias, não por livre escolha. Entretanto o agregado familiar mudou, com famílias mais pequenas, um mercado de trabalho a clamar por maior mobilidade e um sistema que continua preso ao passado.

Um mercado de arrendamento historicamente disfuncional em que décadas de congelamento de rendas, legislação enviesada e uma justiça lenta criaram um ambiente de desconfiança tal que faz com que o proprietário não se fie do sistema, que o inquilino cumpra, que o imóvel seja preservado e  acima de tudo, não acredita que a justiça funcione em tempo útil quando há incumprimento e a razão impõe-se à emoção: prefere não arriscar por isso não arrenda.

Esta retração da oferta gera o........

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