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A pegada que deixamos

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01.06.2026

Vivemos na ditadura do instantâneo. Entre o desejo e a sua satisfação, o mundo moderno, vergado ao niilismo, vai eliminando o espaço do compasso de espera, necessário à busca de um sentido mais profundo e fértil da existência. No entanto, há uma verdade desconfortável que o tempo teima em nos sussurrar ao ouvido: do gozo que fruímos sós, não fica nada. Os prazeres mundanos, as paixões que nos consumiram, os banquetes, as experiências sensuais e os muitos troféus que o ego anseia não deixam rasto: desvanecem-se como fumo, evaporando-se no ar assim que a luz se apaga.

As paredes da casa de que nos orgulhamos, decorada com esmero anos a fio, um dia apenas reflectirão o eco do vazio. As sofisticadas bibliotecas e as colecções que juntámos — de discos, de porcelanas —, metodicamente erguidas com o fetiche da posse, serão amanhã desmanteladas pelos nossos extremosos,........

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