Querem salvar o planeta, mas não o querem ver da varanda
Na aldeia, o progresso tem sempre sotaque de Lisboa e chega com um poste de alta tensão.
No interior de Portugal, são cada vez mais os que dizem “não” a parques eólicos, centrais solares e minas de lítio. Não por serem negacionistas climáticos ou fãs de centrais a carvão. Dizem que sim à transição energética — desde que não aterre no quintal do vizinho. Literalmente.
Recusar turbinas no quintal tornou-se o novo desporto europeu de resistência
O fenómeno não é exclusivo nosso. Em Espanha, a “España vaciada” revolta-se contra os aerogeradores. Na Alemanha, ecologistas processam eólicas para proteger morcegos. Na Suécia, os Sami barram turbinas porque atrapalham renas. O que há de comum? Um Estado hiperambientalista e centralista, uma elite urbana com um plano e uma população local a quem só cabe a assinatura no fim da ata.
Primeiro, o diagnóstico: o interior está velho, vazio e desconfiado. O índice de envelhecimento em alguns concelhos rurais pode rondar os 780 idosos por cada 100 jovens. Nos últimos 30 anos, prometeram-lhes escolas, ICs e zonas........
