O direito internacional: essa peça de museu |
O direito internacional tem hoje a utilidade prática de um telefone de disco: toda a gente reconhece o objeto, alguns falam dele com nostalgia, mas ninguém o usa quando precisa realmente de comunicar. A controvérsia em torno da alegada captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos voltou a expor, com rara clareza, a natureza decorativa de um sistema que existe mais para comentário moral do que para regulação efetiva do poder.
Sempre que Washington age sem pedir licença ao coro das boas intenções internacionais, instala-se o pânico retórico. Especialistas surgem em catadupa, partidos divulgam comunicados inflamados, e descobre-se, subitamente, uma fé inabalável na Carta das Nações Unidas. O direito internacional é invocado como se fosse uma autoridade viva, respeitada e temida. Não é. É um acessório de discurso, útil para debates televisivos e indignações seletivas.
O mais curioso — e revelador — é........