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Um país de magos da finança

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03.03.2020

Devo começar pelos “disclosure” habitual dizendo que o Novo Banco é cliente da empresa onde trabalho, tal como o BES e outras empresas financeiras do grupo o foram, sendo que tenho, naturalmente, relações profissionais e de amizade com funcionários dos bancos referidos. Não significa isto que tenha acesso a números ou informações confidenciais, que, obviamente, não tenho. Por outro lado, o mesmo posso dizer de todos os bancos concorrentes do Novo Banco e que poderiam ter interesses opostos. Neste sentido, a minha posição é de equidistância institucional, mas não com as pessoas de todos os lados que estimo e respeito.

Dito isto, não há como negar a quebra do BES em 2014. De todas as justificações que possam ser dadas para o colapso do banco elas vão desaguar numa única: não havia dinheiro próprio suficiente para pagar as dívidas de clientes que não pagaram e outros que fizeram levantamentos excessivos além-mar. Claro que se poderia ir buscar mais dinheiro a outro sítio qualquer (e foi-se…) para cobrir o montante em falta, mas o mesmo não era do banco ou dos seus acionistas, era de outras pessoas. Teria que ser devolvido mais cedo ou mais tarde. Agora a causa foi falta de dinheiro próprio. Vou enfatizar porque vejo tanta gente enganada que parece que só gritando: FOI FALTA DE DINHEIRO!

Claro que o banco estava a operar, as pessoas faziam depósitos e levantamentos sem problema, o que significava que, de alguma maneira, as pessoas que geriam o banco tinham conseguido usar os depósitos (e outros esquemas hoje em processos judiciais) para cobrir essa falta de dinheiro. Portanto, quando alguns acionistas fizeram o Banco de Portugal descobrir que ali havia um problema, o regulador teria várias hipóteses sobre mesa para resolver a questão fundamental que, recordando, não se resumia a quem era o dono do banco, quantos balcões tinha, se processava bem os........

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