Ser burro e querer sê-lo
A não ser que quem me lê tenha estado em isolamento profundo, saberá que o mundo esteve prestes a acabar porque o ministério da educação resolveu mudar a operacionalidade do processo pelo qual Afonso Henriques fez guerra contra a sua própria mãe: os exames nacionais do 12º ano. O mundo ficou imóvel para saber como é que a aplicação de tecnologia com 30 anos iria, ou não, modificar a vida a crianças com mais de 18 anos, cujas famílias teriam as férias suspensas porque, compreensivelmente, o petiz seria incapaz de resolver os seus problemas sozinho.
Associações de pais berraram, comissões de professores cantaram e alunos desfilaram contra aquilo que, aparentemente, terá sido o maior atentado às muralhas do ser português desde que roubaram a Bola d’Ouro ao Ronaldo e a deram ao Messi.
Justificadamente, afinal os exames nacionais do 12º ano servem para seriar os petizes gradativamente no acesso aos vários cursos universitários disponíveis nas dezenas de universidades públicas portuguesas, ordenando-os pelas notas que eles vão usar num processo organizado de candidatura, que atribui prioridades nas preferências do candidato de acordo com as notas que este pode apresentar, entre as quais aquelas que são obtidas nos ditos exames. Ou, por outras palavras, a perspetiva de vida futura dos petizes depende de forma crítica daqueles exames e o processo agora inovado poderia estragar tudo.
Esta é a visão do primata inferior a quem sempre foram dadas as bananas à hora do costume e nunca pensou no porquê. Mas, como não somos (todos) primatas inferiores, vamos fazer um exercício relativamente simples: quanto vale este drama todo? Um país a bater com a cabeça nas paredes durante meses, vidas suspensas, mães a roer unhas e, pior, horas de........
