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Os últimos

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14.04.2020

Andei a resistir uns tempos a falar do vírus. Isto porque cedo se percebeu o conflito que se formaria entre a visão “física” da questão, em que os modelos matemáticos nos diriam que o melhor era “deixar arder”(deixar o vírus propagar-se naturalmente); e a visão da “engenharia”, que nos diz que se deixarmos arder, tal não resolveria a questão dos afetados, com a gravidade de ocuparem uma cama de cuidados intensivos durante 3 semanas. Isto num país onde nos últimos 3 anos foram retirados quase todos os recursos ao sistema de saúde para responder a este, ou a qualquer outro agente patológico.

Foi este conflito entre as duas visões que gerou boa parte do problema italiano e espanhol. Quer uma, quer outra, eram defendidas por pessoas de grande prestígio e anos de experiência a lidar com casos semelhantes e a mensagem passada à população era ambígua. Sim, deveriam ter muito cuidado, mas uma manifestação ou jogo de futebol não haveria de fazer mal. Mesmo no caso português, havia opiniões contra e a favor da solução de deixar arder. Se a isto juntarmos o estado em que o sistema de saúde se encontra com esta coexistência de opiniões nos profissionais, se tivéssemos sido os primeiros a levar com o vírus o cenário seria dantesco.

O facto é que, com a sorte de termos sido os últimos, ou sem ela, a opção do governo português foi a de retirar as pessoas da frente do vírus e, com isso, atrasar a propagação. Com a informação que tenho, esta opção tem funcionado naquilo que era o seu objetivo........

© Observador