We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close
Aa Aa Aa
- A +

O monopólio do Bem

2 5 13
03.06.2020

Nenhuma das tragédias da história ocorreu em nome do Mal. O partido nazi não se reclamava adorador do diabo, nem o partido comunista propagandeava a pobreza. Na verdade, todas as grandes tragédias provocadas por humanos foram em nome do Bem e suportadas por uma grande parte da população a quem o Bem era direcionado. E o “engraçado” é que, tipicamente, se destinavam a resolver problemas de dimensão quase ridícula quando comparada com a tragédia da “solução” encontrada. A razão é que o Mal tem muitos concorrentes, mas o Bem é monopolista. Em termos figurativos, o ladrão rouba os outros ladrões, mas a polícia é só uma. Quando o ladrão é um problema, o problema é pequeno, mas se o problema é a polícia… Isto para lhe introduzir duas questões “pós-maluqueira-Covid”, que parecendo que não estão relacionadas, são o Novo Banco e os apoios europeus. Estão, de facto, relacionadas pelo monopólio do Bem.

Porque é que temos que meter dinheiro no Novo Banco? Bem, eu sei que a avaliar pelos culpados encontrados, é incompreensível, mas a razão pela qual o temos de fazer é porque o BES “faliu”, dizem. Os bancos não vão à falência — ou melhor, vão –, mas apenas se falharem no singelo evento de os depositantes pretenderem o dinheiro deles e não haver. Entre os depositantes estão os outros bancos, bem como o fabricante do dinheiro, o banco central, que em tempos se chamava Banco de Portugal e hoje se denomina de Banco Central Europeu. Portanto, enquanto o banco central imprimir dinheiro para o banco, o banco não vai à falência. Noutras palavras, a falência de um banco é um ato administrativo.

Para já, estou simplesmente a colocar os factos na mesa. Em........

© Observador