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Não há mulheres gordas no ginásio

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14.06.2019

Aqui há um par de meses, numa conferência nos EUA, fui presenteado com uma apresentação de alguém cuja obra será pouco conhecida em Portugal, mas cujos objetivos são admiráveis. A obra chama-se “Girls Who Code” e a apresentação foi da sua impulsionadora Reshma Saujani. A obra pretende retirar as raparigas do buraco onde a sociedade (ou a educação, ou a natureza, não interessa) as colocou, um ghetto cultural onde a matemática, a tecnologia e a programação não entram. Só entram coisas para meninas. Hoje a obra é algo admirável que leva a programação a centenas de milhares de raparigas em todos os estados dos EUA, sendo que desafio quem me lê a procurar saber mais (saber mais no séc. XXI é escrever Girls Who Code na barra lá de cima…).

A meio da apresentação, Reshma, deixa escapar dois números, “as mulheres só se candidatam a um posto se cumprirem 100% dos requisitos, os homens candidatam-se se cumprirem 60%”. A mim pareceu-me que aqueles números caíram do céu e, pelo que percebi depois, caíram mesmo. Ao que percebi, o número decorre de um inquérito interno do gigante americano de tecnologia, HP, que passou para uma consultora que, num relatório sobre desigualdade de género, passou à imprensa e da imprensa para o mundo. Não há uma base científica para aqueles números, nem mesmo nas “ciências” de metodologias mais “liberais”.

Mas eu estava rodeado de colegas do sexo feminino, mulheres de inquestionável sucesso nas suas empresas, envolvidas até ao pescoço em tecnologia, que concordaram de imediato com a ideia transmitida: as mulheres só procuram a perfeição e isso é um obstáculo na vida, ao contrário do que é propalado. E foi isso que me chamou a atenção. Não tanto os números, mas a forma como as mulheres ali presentes corroboravam a ideia que eles transmitiam.

E logo os exemplos começaram a jorrar. É perfeitamente vulgar os homens juntarem-se com os amigos para jogar futebol, num campo que nem sequer tem as medidas certas, com balizas que não têm rede, envergando equipamentos cujas cores não combinam e com camisolas que não se conseguem esticar de forma a cobrir toda a........

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