Madalena Sá Fernandes vs. João Pedro George

Talvez seja importante contextualizar o que se passou, para os sete leitores desprovidos de redes sociais. Há algumas semanas, no podcast Quinteto Literário (nessa ocasião em formato de trio, com Ana Bárbara Pedrosa, João Pedro George e Miguel Szymanski), discutia-se Leme, o romance de Madalena Sá Fernandes quando o sociólogo João Pedro George decidiu fazer a seguinte crítica literária (aqui muito resumida): «Ela é de uma frieza a falar disto [a violência doméstica que a própria escritora e a sua mãe terão sofrido às mãos do padrasto de Madalena] (…) e depois (…) comecei a ver o Instagram dela e a imagem não combinava com o tema (…) [eu] não queria necessariamente uma tipa deprimida e gótica, não era nada disso, mas também não estava à espera de encontrar uma pessoa seminua deitada numa banheira com o livro na mão ou (…) com todo o Rio de Janeiro por trás, ela muito florida, com um corpo muito exuberante, com roupas que põem à mostra os atributos (…)».

Madalena Sá Fernandes manifestar-se-ia então na sua conta pessoal contra o machismo, misoginia e com a objectificação sexual das palavras acima citadas e a polémica pegaria fogo. Não querendo menorizar ou rejeitar as acusações da escritora, parece-me interessante analisar a questão sob outro ponto de vista, ainda que abordando pelo meio algumas questões paralelas.

Outra perspectiva possível seria a levantada por muitas pessoas acerca da não intervenção de Ana Bárbara Pedrosa, que assiste impávida e serena ao cómico momento em que João Pedro George parece começar gradualmente a tomar consciência do buraco em que se estava a meter, não conseguindo fazer mais do que escavar e escavar e escavar. Não optarei........

© Observador