Injecção brasileira, 7ª dose

Nos últimos anos tem-se verificado a intervenção de vários cidadãos brasileiros ou residentes no Brasil no debate sobre escravatura, e é possível afirmar que grande parte do se discutiu na esfera pública, desde 2023, foi por eles aí injectado. Essa intervenção poderá ser muito positiva, se for construtiva e esclarecedora, mas por vezes para além de assumir uma forma panfletária de estimulação ou de provocação, ela caracteriza-se pela propagação de estereótipos errados. Foram, nomeadamente, os casos do cantor Luca Argel, dos artistas Dori Nigro e Paulo Pinto e do compositor Pierre Aderne. A última dose dessa injecção algo tóxica, a que o jornal Público, como tem sido habitual, deu voz, surgiu há dias e tem como autor José Luís Landeira, um residente no Brasil que se apresenta como linguista. Ora, ao falar de escravatura, Landeira avança infelizmente com vários erros e meias verdades, e faz algumas confusões que em lugar de esclarecerem as coisas as baralham e obscurecem.

De facto, o referido linguista afirma que a prática da escravidão remonta ao Império Romano, o que é um erro grosseiro, já que essa prática é muito anterior aos romanos. Está atestada na Suméria e noutros estados do mundo antigo desde que há registos escritos, isto é, desde o IIIº milénio a.C. Diz, também, que........

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